HISTÓRICO DO CARNASAT E DO BLOCO BICHO CARANGUEJO.
A Memória da Folia e da Cultura Popular no Conjunto Satélite (Belém/PA)

1. Fundação e Pioneirismo (2001)
A história do Bloco Bicho Caranguejo é um capítulo fundamental na memória cultural e afetiva do Conjunto Satélite, localizado no bairro do Coqueiro, em Belém. Tudo começou em dezembro de 2001, quando a paixão pelo Carnaval e o desejo de valorizar e integrar a comunidade uniram cinco grandes amigos: Américo Sena (Valeco), Josué Costa, Wirley Jackson, Cristiano Bentes (Kita) e Roberto Aquino (Robertinho). O palco dessa fundação histórica foi o tradicional Bar do saudoso Seu Araújo, situado estrategicamente na esquina da Travessa SN-3 com a Rua WE-3, um ponto de encontro emblemático (hoje Praça Edimar Araújo), que testemunhou o nascimento de uma das maiores manifestações de alegria da periferia da capital paraense, da qual fizeram parte também os amigos Rui Leonardo (Ruizinho) e Lázaro Reis.
2. Estreia na Avenida e Tradições Pré-Carnavalescas (2002)
No ano seguinte à sua fundação, a semente plantada pelos fundadores deu seus primeiros frutos. A estreia oficial da agremiação ocorreu no circuito do CARNASAT 2002, marcando o início de uma trajetória de muita irreverência. Naquele primeiro ano de avenida, o Bloco Bicho Caranguejo desfilou em perfeita sinergia e parceria com o Bloco Peixe Frito com Cachaça, idealizado e organizado pela tradicional Família Mota, moradores da Rua WE-6. Juntos, esses blocos pioneiros provaram a força da união e o poder de mobilização dos moradores do Satélite.
Uma das tradições mais marcantes e aguardadas pelos foliões do bairro era o evento de lançamento oficial da agremiação. Todos os anos, o Bloco Bicho Caranguejo abria os seus trabalhos pré-carnavalescos realizando uma grandiosa e festiva caranguejada no Bosquinho, um conhecido bar de propriedade do também saudoso Seu Vítor, na esquina da Travessa SN3 com a Rua WE-3. O evento unia a culinária típica paraense com a cerveja gelada, preparando o coração da comunidade para o corredor principal da folia, que era toda a extensão da Travessa SN3. O Bloco Bicho Caranguejo manteve sua chama acesa e permaneceu ativamente na avenida até o ano de 2012, consolidando mais de uma década de história, amizade e identidade cultural.
3. Consagração e Inclusão no Circuito Oficial de Belém (2008–2010)
A consolidação definitiva do CARNASAT e o seu reconhecimento institucional ganharam um capítulo histórico entre os anos de 2008 a 2010. Nesse período, a Prefeitura Municipal de Belém reconheceu a magnitude e o impacto social da festa, incluindo oficialmente o CARNASAT no Circuito Oficial do Carnaval de Bairro de Belém, encampando pela primeira vez a estrutura do corredor da folia comunitária.
Essa oficialização trouxe um fato totalmente inédito e marcante para o conjunto: a participação especial do renomado Bloco Jambu do Kaveira. Conhecido tradicionalmente por arrastar multidões na região central de Belém (Cidade Velha) o irreverente bloco anarco-carnavalesco — coordenado pelo ex-vereador de Belém André Kaveira e por sua esposa, a produtora e DJ Élida Braz, que descentralizou sua folia e levou o autêntico carnaval de marchinhas para o asfalto do Satélite.
Com o apoio municipal e a chegada de novas agremiações inspiradas no sucesso dos pioneiros, o CARNASAT tomou forma, cresceu e diversificou seus públicos, integrando uma rica lista de blocos ao longo dos anos, tais como:
• Peixe Frito com Cachaça (O pioneiro, da Rua WE-6, organizado pela Família Mota)
• Bicho Caranguejo (Ativo de 2001 a 2012)
• Bloco Pipoca Vip
• Bloco Boca de Jambu
• Bloco Tens Durado
• Bloco Bob Esponja
• Bloco Até Cubanos
• Bloco Porco Assado
• Bloco Piradinho
• Bloco Vênus
• Bloco Afro Ita Temi
• Blocos Infantis Morango Kids e Tia Gorda & Cia.(Garantindo o espaço e a segurança das crianças)
• Jambu do Kaveira (Participação histórica e inédita do Centro de Belém).
4. Músicos Notáveis e Grandes Atrações na Avenida
A história do CARNASAT e de seus principais blocos também é marcada pela grandiosidade de suas atrações musicais, que trouxeram ritmos regionais e nacionais para arrastar as multidões no Conjunto Satélite. Dentre os músicos conhecidos que cantaram e consagraram os trios do circuito local, destacam-se:
• Edilson Moreno: O consagrado cantor e compositor amapaense, um dos maiores ícones do brega e dos ritmos nortistas, colocou toda a sua energia e carisma à frente do Bloco Bicho Caranguejo, comandando o som e embalando os foliões com a identidade marcante da Amazônia.
• Xexéu: O renomado cantor baiano e ex-vocalista da icônica banda Timbalada trouxe toda a potência, o axé e o balanço da Bahia diretamente para o desfile do Pioneiro Bloco Peixe Frito com Cachaça, selando um intercâmbio cultural inesquecível nas ruas do Satélite.
• Músicos puxadores de Trio Elétrico e compositores de grande representatividade regional como Vicente Rodrigues, Robertinho, Quiure, Jorginho Gomez, Edson Katende, Alcir Lobato e Elson Silva e a conhecida Banda AR-15.
5. A Era dos Blocos Independentes e a Contemporaneidade
Após as grandes transformações estruturais na organização do Carnaval de rua de Belém, a folia no Conjunto Satélite passou por uma nova transição. Hoje, o Carnaval do bairro mantém sua força comunitária e identidade viva por meio de um dinâmico formato de blocos independentes, que garantem a diversão e a autonomia de cada alameda de maneira espontânea.
Nesse cenário contemporâneo, um dos grandes destaques é o Bloco Morena Bela, sediado na WE-8. Coordenado com dedicação pelo morador Alex Wendell e sua Família, o bloco tornou-se um verdadeiro reduto de resistência cultural e animação, arrastando moradores e visitantes tradicionais com sua energia contagiante. O prestígio do Morena Bela é tão expressivo que o bloco já contou com a participação especial do irreverente e icônico cantor Eloi Iglesias, um dos maiores patrimônios performáticos da música paraense. A presença de Eloi no trio consolidou o bloco da Rua WE-8 como um dos herdeiros legítimos da alegria que começou lá atrás, em dezembro de 2001, mantendo acesa a chama da folia no Satélite.
🔗 Para saber mais, acesse o link:
CARNASAT: o documentário (@Wijack2008)
